O plano de Elon Musk para transformar o teu carro numa máquina de fazer dinheiro

O Cybercab começou a circular em Austin, nos EUA. O modelo tem bateria de 48 kWh para pouco mais de 400 km de autonomia, custo estimado em cerca de 30 mil dólares e a ambição de Elon Musk é que possa ser um táxi quando não está a ser usado pelo dono.

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A Tesla decidiu colocar o seu aguardado robotáxi a rodar na via pública durante os últimos dias em Austin, no estado norte-americano do Texas, sem qualquer apresentação com transmissão em direto ou anúncio pomposo de Elon Musk.

O novo veículo da marca chama-se Cybercab e surge como uma proposta radicalmente diferente de tudo o que conhecemos no catálogo do fabricante, com um formato desportivo de duas portas e dimensões exteriores bastante compactas.

Cybercab não tem volante ou pedais e ainda não pode ser comprado por particulares

Quem sonha em comprar um destes carros para a sua garagem vai ter de esperar. A Tesla concebeu o veículo em exclusivo para a sua frota comercial de transporte autónomo com base no sistema FSD. O interior do habitáculo não tem volante, nem pedais de aceleração e travagem, nem sequer espelhos retrovisores tradicionais.

Toda a experiência resume-se a dois assentos e a um ecrã tátil central, com uma bagageira traseira sem divisórias ou mecanismos adicionais. O corte radical nos custos de fabrico acaba por ajudar às especificações técnicas do veículo.

A carroçaria dispensa pintura e utiliza painéis de plástico moldados por injeção reativa com revestimento de poliuretano integrado. Graças a este processo, a estrutura envolve pouco mais de 80 componentes desenhados, face aos mais de 200 utilizados no Model Y. Reduz a contagem total de peças para metade quando comparado com um Model 3.

Bateria de 48 kWh e autonomia até 400 km

A bateria tem apenas 48 kWh de capacidade e alimenta um único motor dianteiro de 163 kW, com promessa de uma autonomia a rondar os 400 quilómetros. Obviamente são números feitos maioritariamente em cidade.

Para manter o custo de produção na casa dos 30 mil dólares, a Tesla recusa a instalação de sensores LiDAR dispendiosos, e confia apenas nas câmaras. As portas abrem em formato borboleta e o tejadilho integra uma antena da rede Starlink para ligação constante aos servidores mesmo em zonas sem cobertura móvel 5G.

Na dianteira, uma barra de luzes dinâmicas muda de tonalidade para que o passageiro consiga identificar o carro que chamou através da aplicação no smartphone. A ambição de Elon Musk parece querer ir além deste modelo dedicado.

Cybercab poderá ser uma espécie de Uber pessoal no futuro, segundo Elon Musk

A empresa planeia abrir as vendas do Cybercab a cidadãos comuns no futuro para permitir a criação de frotas privadas, mas a verdadeira alavanca comercial está na capacidade partilhada.

O objetivo passa por deixar que qualquer proprietário de um modelo da marca coloque o seu veículo na rede de transporte com um simples toque no ecrã do telemóvel quando não o estiver a conduzir, de forma a criar uma espécie de Airbnb sobre rodas onde o dono do automóvel gera rendimento e a empresa retém uma comissão pelo serviço prestado.

O grande desafio agora são os reguladores nos Estados Unidos. Sem pedais, volante ou espelhos, promete ser uma bela dor de cabeça para a Tesla manter o automóvel a fazer aquilo para que foi concebido.

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Bruno Coelho
Bruno Coelho
Bruno Coelho é Editor-chefe do 4gnews. Foca-se em smartphones, áudio, telecomunicações e carros elétricos. Alia mais de 400 reviews desde 2017 a visitas a fábricas de smartphones na China e coberturas do MWC e IFA.