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Muitos portugueses desligam esta função do carro sem saber isto

O Start-Stop foi criado para reduzir consumos, mas muitos condutores continuam a desligá-lo assim que entram no carro. A dúvida é simples: estará esta função realmente a poupar combustível ou apenas a aumentar o desgaste?

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startstop
Fonte: Pexels

É uma daquelas funções que quase todos os carros mais recentes já trazem, mas que continua a gerar alguma desconfiança. O Start-Stop entra em ação sobretudo no trânsito e nos semáforos, desligando o motor por breves momentos para tentar reduzir consumos.

O que faz realmente o Start-Stop?

O sistema Start-Stop desliga automaticamente o motor quando o carro fica parado, por exemplo num semáforo ou numa fila de trânsito, e volta a ligá-lo quando o condutor se prepara para arrancar.

Num carro manual, normalmente basta carregar novamente na embraiagem. Num automático, o motor costuma voltar a funcionar quando se alivia o pedal do travão. O objetivo é simples: evitar que o motor continue ligado e a consumir combustível quando o carro não está a andar.

Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, deixar um motor ao ralenti durante apenas cerca de 10 segundos já pode consumir mais combustível do que desligá-lo e voltar a ligá-lo.

O Start-Stop poupa mesmo combustível?

Sim, embora a diferença dependa muito do tipo de condução. É principalmente na cidade que o sistema faz mais sentido. Se uma viagem envolver vários semáforos, filas ou períodos parado no trânsito, o Start-Stop vai acumulando pequenos períodos em que o motor deixa de consumir combustível.

Numa viagem longa por autoestrada, por outro lado, praticamente não existe oportunidade para o sistema funcionar, pelo que a diferença será muito reduzida. Ou seja, não vais notar uma enorme diferença depois de uma única viagem, mas ao longo de meses de utilização urbana essa poupança pode acumular.

E o Start-Stop não é a única forma de reduzir consumos. Há outros hábitos que muitos condutores acreditam ajudar, mas que podem ter precisamente o efeito contrário, como acontece com alguns dos mitos mais comuns sobre poupança de combustível.

Estar sempre a ligar o motor não aumenta o desgaste?

Esta é provavelmente a principal razão pela qual muitos condutores desligam o Start-Stop assim que entram no carro. É verdade que o sistema faz com que o motor seja ligado muito mais vezes. No entanto, um carro equipado de fábrica com Start-Stop foi desenvolvido para suportar precisamente esse funcionamento.

Nas baterias, por exemplo, são normalmente utilizadas tecnologias como EFB ou AGM. Na prática, são baterias reforçadas, desenvolvidas para suportar muitos mais ciclos de carga, descarga e arranque do que uma bateria convencional.

A VARTA explica que uma bateria comum não foi concebida para lidar com as exigências frequentes de um sistema Start-Stop. Por isso, estes carros recorrem a baterias específicas, preparadas para uma utilização bastante mais intensa.

Isto não significa que estes componentes sejam eternos. Uma bateria Start-Stop também se desgasta e, quando chegar a altura de a substituir, poderá ser mais cara do que uma bateria convencional.

Mas simplesmente utilizar a função para a qual o carro foi projetado não significa que estejas a destruir o motor de arranque ou a bateria cada vez que paras num semáforo.

O próprio carro decide quando pode desligar o motor

Há ainda um detalhe importante: carregar no botão do Start-Stop não significa que o motor vá necessariamente desligar sempre que paras.

O sistema analisa diferentes parâmetros antes de atuar e, dependendo do automóvel, pode manter o motor ligado se considerar que as condições não são adequadas. Pode acontecer, por exemplo, quando a bateria está com pouca carga, o motor ainda não atingiu determinada temperatura ou a climatização necessita de continuar a trabalhar.

Também podes reparar que o motor volta a ligar sozinho mesmo continuando parado. Isso acontece porque o automóvel pode precisar novamente do motor para alimentar determinados sistemas ou recuperar a carga da bateria. Por isso, o Start-Stop é bastante mais complexo do que simplesmente desligar e voltar a ligar o motor.

Então compensa deixá-lo ligado?

Para a maioria dos condutores, sobretudo para quem faz muita condução urbana, sim. O sistema foi criado precisamente para eliminar períodos desnecessários ao ralenti e, se o carro estiver em boas condições, não existe uma razão técnica para o desligar sistematicamente apenas por medo do desgaste.

Com os preços dos combustíveis constantemente a mudar, qualquer pequena redução no consumo acaba por ser bem-vinda. Além do Start-Stop, também existem aplicações que ajudam a encontrar combustível mais barato antes de abastecer.

Há situações em que vale a pena desligá-lo

Isso não significa que tenhas de manter o sistema ligado em todas as situações.

Durante manobras muito lentas, estacionamento ou trânsito em que o carro avança e para constantemente durante poucos segundos, o funcionamento repetido pode tornar-se incómodo e praticamente não existir tempo suficiente para obter uma poupança relevante.

Nesses casos, podes desligá-lo temporariamente por uma questão de conforto. A conclusão é bastante simples: se o teu carro tem Start-Stop de fábrica, não precisas de o desligar sempre que entras no carro.

Especialmente em cidade, deixá-lo funcionar como foi projetado pode reduzir o tempo que o motor passa inutilmente ao ralenti e ajudar a cortar, ainda que ligeiramente, no consumo de combustível.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.